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quinta-feira, 28 de março de 2013

Cinco poemas de Fernando Salomon Bezerra






1.

Chove

não choro

mais farto eu?

a nuvem que jorra?

 
 
 

2.

passei a vida inteira desperto

à espera de lejano verso terno

agora creio que ele virá

durante meu sono eterno 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

3.

Onde os habitantes

famintos noturnos

se aquecem com fogueiras de farpas

trocadas na antemanhã gelada






4.

Mandar aos ares essas árias desafinadas que amofinamos no lado oco de dentro de nós
















5.

Quando o pica pau for a sua companhia num quarto de hotel, não pense que a vida é assim tão distraída. Saia para ver um filme, saia para ver o crime, inventa uma nova rima fora da poesia, bora prouto dia, agora está tudo bem, então, relaxa que em tudo há uma graça: para cada louco uma praça, para cada tião uma marina, uma canção que faça adormecer, um desenho pra aliviar a dor, assim sem sentido como tudo for.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

                                                                                             
Poeta  e  músico mineiro nascido às margens da serra da Mantiqueira, na sulina Itajubá, e radicado há muitos anos na sertânica Montes Claros, no norte de Minas, Fernando Salomon Bezerra é daqueles guardadores de poemas sutis, hauridos na experiência enviesada de existir. Ensina letras espanholas na Unimontes e faz doutorado no momento na UFMG, onde realizou seus estudos de graduação e mestrado. Ainda inédito em livro. As imagens são do catalão Joan Miró (1893/1983), o homem que escancarou as portas da percepção.

Um comentário:

  1. Filigrana, escancaro de percepção (como diz Anelito sobre Miró, trazido muito a propósito à cena dos poemas de Bezerra), escrita porosa, de uma antemanhã onde nos aguardam outros sentidos.
    Alexander Nassau

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